segunda-feira, 2 de junho de 2014

A doença



As crianças afetadas são normais ao nascimento e permanecem sem alterações clínicas e radiológicas até em torno dos 03 anos de idade, época em que se inicia o aumento simétrico mandibular. O crescimento ósseo, porém, é auto-limitado e tende a cessar entre 12 e 15 anos de idade, fazendo com que as lesões comecem a regredir na puberdade. O remodelamento mandibular prossegue até em torno da 3ª década de vida e, ao final deste período, as alterações clínicas do querubismo podem ser bem sutis.

As manifestações clínicas e radiológicas podem variar de leves a bastante acentuadas, podendo em alguns casos desencadear obstrução respiratória, perda visual e deslocamento de dentes.

Radiologicamente, o Querubismo caracteriza-se por lesões osteolíticasinsuflativas bilaterais na mandíbula, sendo as lesões maxilares muitas vezes de difícil identificação precoce. A TC permite uma melhor análise das lesões, possibilitando evidenciar o grau de redução do antro maxilar e de elevação do assoalho da órbita, bem como o grau de compressão do nervo óptico, além de demonstrar lesões precoces em mandíbula e maxila de natureza sólida.

Através do exame histopatológico, pode-se observar a proliferação de tecido conjuntivo fibroso, contendo numerosas células gigantes multinucleadas.

Conforme o que foi descrito, o Querubismo é uma condição geralmente auto-limitada e com regressão espontânea com a idade. O seu tratamento, portanto, deve ser baseado no conhecimento da sua evolução natural e nas implicações funcionais, sociais e emocionais presentes em cada paciente isoladamente. Tradicionalmente, a conduta geral no tratamento do Querubismo baseia-se no acompanhamento dos pacientes, realização de biópsia, remoção de dentes impactados ou ectópicos e correção cirúrgica da lesão em casos apropriados.

Dessa forma, o tratamento cirúrgico para correção das deformidades não é primordial, a menos que problemas funcionais e/ou emocionais justifiquem o procedimento.

Estudos têm sido feitos apontando a possibilidade de tratamento com a calcitonina, reduzindo a necessidade de cirurgia em casos com significante expansão mandibular, uma vez que ela vem sendo usada com sucesso no tratamento do Granuloma de Células Gigantes in vitro.

Mesmo sendo menores os riscos de recidiva em cirurgias feitas após a puberdade, essa conduta pode ser realizada em idades menores quando há um impacto psico-social significativo para o paciente.

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