As crianças afetadas são normais ao
nascimento e permanecem sem alterações clínicas e radiológicas até em torno dos
03 anos de idade, época em que se inicia o aumento simétrico mandibular. O
crescimento ósseo, porém, é auto-limitado e tende a cessar entre 12 e 15 anos
de idade, fazendo com que as lesões comecem a regredir na puberdade. O
remodelamento mandibular prossegue até em torno da 3ª década de vida e, ao
final deste período, as alterações clínicas do querubismo podem ser bem sutis.
As manifestações clínicas e
radiológicas podem variar de leves a bastante acentuadas, podendo em alguns
casos desencadear obstrução respiratória, perda visual e deslocamento de
dentes.
Radiologicamente, o Querubismo
caracteriza-se por lesões osteolíticasinsuflativas bilaterais na mandíbula,
sendo as lesões maxilares muitas vezes de difícil identificação precoce. A TC
permite uma melhor análise das lesões, possibilitando evidenciar o grau de
redução do antro maxilar e de elevação do assoalho da órbita, bem como o grau
de compressão do nervo óptico, além de demonstrar lesões precoces em mandíbula e
maxila de natureza sólida.
Através do exame histopatológico,
pode-se observar a proliferação de tecido conjuntivo fibroso, contendo
numerosas células gigantes multinucleadas.
Conforme o que foi descrito, o
Querubismo é uma condição geralmente auto-limitada e com regressão espontânea
com a idade. O seu tratamento, portanto, deve ser baseado no conhecimento da
sua evolução natural e nas implicações funcionais, sociais e emocionais
presentes em cada paciente isoladamente. Tradicionalmente, a
conduta geral no tratamento do Querubismo baseia-se no acompanhamento dos
pacientes, realização de biópsia, remoção de dentes impactados ou ectópicos e
correção cirúrgica da lesão em casos apropriados.
Dessa forma, o tratamento cirúrgico
para correção das deformidades não é primordial, a menos que problemas
funcionais e/ou emocionais justifiquem o procedimento.
Estudos têm sido feitos apontando a
possibilidade de tratamento com a calcitonina, reduzindo a necessidade de
cirurgia em casos com significante expansão mandibular, uma vez que ela
vem sendo usada com sucesso no tratamento do Granuloma de Células
Gigantes in vitro.
Mesmo sendo menores os riscos de
recidiva em cirurgias feitas após a puberdade, essa conduta pode ser realizada
em idades menores quando há um impacto psico-social significativo para o
paciente.
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